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Porque o Bioma Cerrado é importante?

Atualizado: 21 de abr.

O Cerrado é o segundo maior bioma brasileiro, ocupando cerca de 24% do território nacional, abrangendo principalmente a região Centro-Oeste, mas também áreas do Sudeste, Nordeste e Norte. Reconhecido como a “caixa d’água do Brasil”, ele desempenha papel fundamental na manutenção da biodiversidade, no equilíbrio climático e na disponibilidade de recursos hídricos não só para o país, mas também para a América do Sul.


Biodiversidade

O Cerrado é considerado um dos hotspots de biodiversidade mundial, abrigando mais de 12 mil espécies de plantas, das quais cerca de 40% são endêmicas, ou seja, só existem ali. Além disso, é habitat de uma rica fauna, incluindo espécies emblemáticas como o lobo-guará, a onça-pintada, o tamanduá-bandeira e o tatu-canastra. Essa diversidade biológica fornece recursos genéticos essenciais para alimentação, medicina e biotecnologia, além de sustentar cadeias ecológicas complexas.


Recursos hídricos

Um dos papéis mais estratégicos do Cerrado está na regulação da água. É nele que nascem grandes bacias hidrográficas, como as do São Francisco, Tocantins-Araguaia, Paraná e Paraguai, que abastecem milhões de pessoas, irrigam plantações e garantem a geração de energia hidrelétrica. Os solos, embora naturalmente pobres em nutrientes, funcionam como uma esponja: retêm água no período chuvoso e liberam gradualmente na estação seca, garantindo fluxo constante dos rios.


Serviços ecossistêmicos

O Cerrado presta inúmeros serviços ecossistêmicos indispensáveis:

  • Sequestro de carbono e regulação climática, reduzindo os impactos do aquecimento global.

  • Manutenção do ciclo hidrológico, que influencia diretamente a produção agrícola nacional.

  • Fornecimento de alimentos e fibras a partir de espécies nativas, como o baru, o pequi e o buriti, de importância cultural e econômica para comunidades locais.

  • Preservação do solo, já que sua vegetação adaptada a incêndios naturais e à seca ajuda a evitar processos erosivos e desertificação.


Importância socioeconômica e cultural

Muitos povos indígenas, comunidades tradicionais e agricultores familiares dependem do Cerrado para sua sobrevivência. O extrativismo de frutos, sementes e plantas medicinais garante renda e soberania alimentar, enquanto a paisagem cultural molda identidades regionais. Além disso, o bioma é estratégico para o agronegócio: mais de 40% da produção de grãos do Brasil ocorre em áreas de Cerrado, o que reforça a necessidade de uma agricultura sustentável que não comprometa sua integridade.


Ameaças e desafios

Apesar de sua importância, o Cerrado é o bioma brasileiro mais ameaçado. Estima-se que mais de 50% da sua vegetação original já foi destruída, principalmente pela expansão agrícola, pecuária extensiva, queimadas e exploração predatória de recursos. Isso traz consequências sérias: perda de biodiversidade, redução da disponibilidade hídrica, maior emissão de gases de efeito estufa e riscos para a segurança alimentar.


Conservação e futuro

A preservação do Cerrado exige estratégias de uso sustentável dos recursos naturais, incentivo ao extrativismo comunitário, recuperação de áreas degradadas e valorização de práticas agroecológicas. Também é necessário ampliar áreas de proteção e implementar políticas públicas que conciliem produção e conservação. Manter o Cerrado vivo significa garantir água, alimentos, energia e equilíbrio climático para o Brasil e além de suas fronteiras.


Em síntese, o Cerrado é um bioma-chave para a vida: protege a biodiversidade, assegura os recursos hídricos, regula o clima e sustenta culturas e economias. Sua conservação é uma questão estratégica não apenas ambiental, mas também social e econômica.


REFERÊNCIAS


BRASIL. Ministério do Meio Ambiente (MMA). Cerrado. Brasília: MMA, 2021. Disponível em: http://www.mma.gov.br/biomas/cerrado. Acesso em: 22 set. 2025.


KLINK, Carlos A.; MACHADO, Ricardo B. Conservação do Cerrado brasileiro. Megadiversidade, Belo Horizonte, v. 1, n. 1, p. 147-155, jul. 2005.


MACHADO, Ricardo B. et al. Estimativas de perda da área do Cerrado brasileiro. Conservação Internacional do Brasil, Brasília, 2004.


MYERS, Norman et al. Biodiversity hotspots for conservation priorities. Nature, v. 403, n. 6772, p. 853-858, 2000.


RATTER, James A.; RIBEIRO, José Felipe; BRIDGEWATER, Samuel. The Brazilian Cerrado vegetation and threats to its biodiversity. Annals of Botany, v. 80, n. 3, p. 223-230, 1997.


STRASSBURG, Bernardo B. N. et al. Moment of truth for the Cerrado hotspot. Nature Ecology & Evolution, v. 1, n. 4, p. 1-3, 2017.




Por: Vanesa Bazzo - Biotecnologista/Especialista em Botânica e Fitopatologia.

 
 
 

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